Comunidades Virtuais versus Comunidades Reais (Físicas)

A estrutura, operação e composição das comunidades Virtuais diferem do mundo real de uma certa maneira, ao nível da interacção. Smith (1995) apontou cinco interacções características das comunidades virtuais que não existem na comunicação do mundo físico:
· Aespacial – a interacção virtual não está circunscrita aos limites territoriais e geográficos das interacções individuais;
· Assíncrona – à excepção das salas de chat, no domínio do virtual a comunicação normalmente não é em tempo real;
· Acorpórea – em ambiente virtual, a comunicação tende a ser com base no texto. Apenas o que se escreve é “trocado” havendo uma ausência de pistas não verbais como os gestos, o modo como nos vestimos, a postura, a linguagem corporal, as expressões faciais (que normalmente acompanham o discurso no mundo físico). È certo que as comunidades virtuais desenvolveram os seus próprios substitutos para expressar emoções e gestos físicos, através do teclado. Nas comunidades físicas, por outro lado, à excepção das conversas telefónicas, é necessário uma interacção face-a-face e uma co-presença dos interlocutores.
· Aestigmática – Uma vez que as comunidades virtuais são normalmente baseadas em texto e acorpóreas, não há lugar para o estigma.
· Anónima – Devido às quatro características anteriores, as comunidades virtuais são mais anónimas do que as reais.
Contudo, nas comunidades reais a qualidade de membro, nem sempre é intencional. Por vezes, as pessoas fazem parte de uma comunidade, simplesmente porque vivem naquele bairro, ou trabalham naquela empresa. Contudo, o qualidade de membro numa comunidade virtual é normalmente intencional, uma vez que as pessoas escolhem a comunidade da qual querem fazer parte. O aspecto intencional das comunidades virtuais coloca a estrutura destas muito frágil, uma vez que as pessoas podem deixar de fazer parte sem grande esforço.
Contudo, há alguns aspectos em que as comunidades virtuais podem ser similares às comunidades físicas. Ambas se caracterizam pela comunicação e relações construídas entre os indivíduos. Os membros solidarizam-se, há um sentido de pertença e de apoio social. Basicamente, as pessoas desempenham as mesmas actividades quer no mundo virtual quer no mundo físico – discutem, protestam, lutam, reconciliam-se, fazem amigos, divertem-se (Rheingold, 1993).
As transformações conduzem às diferenças na operação, estrutura e composição das CV , mas estas comunidades on-line são muito semelhantes em espírito às comunidades físicas. Uma comunidade virtual assemelha-se muito profundamente a um “terceiro espaço” na vida real – um encontro social como um bar ou um café.
Tal como diz Smith (1995), as CV, apesar das suas diferenças com as comunidades na vida real, são comunidades e a virtualidade está apenas na natureza do media. Chega mesmo a comparar as CV com a correspondência do séc. XIX. Contudo a velocidade de interacção muito mais veloz e talvez por isso haja um maior dinamismo.
Postman (1994:12) refere o inegável facto de que todas as tecnologias e qualquer que seja a inovação tecnológica, não terem um efeito unívoco, sendo qualquer tecnologia, quer um fardo, quer uma benção. Postman (1994:19), continuando a analisar o impacto das tecnologias na nossa sociedade, cultura e natureza, escreve: «...as novas tecnologias mudam o que conhecemos como "conhecimento" e "verdade"; elas alteram aqueles hábitos de pensamento profundamente enraizados que dão a uma cultura o sentido daquilo que o mundo é - do que é a ordem natural das coisas, do que é inevitável, do que é real».
Para alguns investigadores, as tecnologias informáticas, mais especificamente a Internet e as comunidades virtuais, estão a desvirtuar as pessoas e a cultura que as "gerou". Esta visão de uma cultura estanque e de um "tipo" de pessoa passiva, não reflexiva, no meu entender parece-me ser uma prova evidente de que a visão tecnofóbica das novas realidades tecnológicas que estão a surgir, no lugar de nos ajudarem a apreendê-las, mistificam, demonizam e dramatizam as novas realidades sociais e culturais possibilitadas pelas novas tecnologias.
A imagem comum entre os tecnofóbicos sobre a Internet como uma tecnologia de comunicação é que ela é invasora. No entanto, como escreve Kerckhove (1997:91) : «A Net não é invasora, é-o ainda menos do que o telefone, porque não chama as pessoas, as pessoas é que a chamam». Na minha opinião não existe nada no ciberespaço que não tenha sido "colocado lá", é o elemento humano que constrói o ciberespaço e é a interacção entre pessoas que constrói a cibercultura. As novas tecnologias, vistas como um meio, onde quer o uso do meio, quer o conteúdo dele, depende das pessoas e não da tecnologia em si, inviabiliza o argumento de que estas novas tecnologias são "demoníacas" e que destruirão o nosso tecido social e cultural. Pelo contrário, é exactamente esse tecido social e cultural que as constrói, configura e viabiliza.
O que esta afirmação significa, é que sempre que uma nova tecnologia aparece, destronando uma sua antecessora, esta nova tecnologia encerra em si e na sua utilização, necessariamente, uma nova e inovadora cosmovisão. As tecnologias mudam as nossas vidas, a nossa cultura, e as nossas formas de pensar, no entanto, não acabam com nada disso, apenas nos propõem uma nova e diferente cosmovisão social e cultural

Comparação entre Comunidade Real (física) e Virtual